Quem poderá nos salvar?


A cara de pânico das mulheres quando falamos na ação da independência e liberdade é uma constante. Elas olham para mim, seja numa sessão de coach ou em conversa informal ou workshop, com os olhos desesperados de pedido de ajuda. Mil perguntas rondam o juízo delas e eu sei quais são porque já estive neste mesmo lugar: então, amanhã não posso pedir para meu marido resolver a poupança? E de que horas vou fazer isso? E meus filhos?. Também tem afirmações: só me faltava mais um assunto para entender; tenho que levar isso na terapia; meu Deus, faço tudo errado; eu deverIA estar cuidando da minha vida.

O tema geralmente surge quando se trata de carreira, dinheiro e família. Por isso, o texto de hoje vai para as mulheres dos olhos de socorro e para os homens que as acompanham. Se a questão é delas, por que eles entram na jogada? Não é para salvar ninguém, por incrível que pareça (risos). É para se posicionar. Li esta semana uma pesquisa da Havard ( vai por newsletter para inscritos) sobre mulheres e desenvolvimento de carreira. Sabe o resultado? Quem atrapalha são os maridos! Parece briga de criança em escola, mas o buraco é mais embaixo. Vale ressaltar: os pesquisados tinham entre 26 e 47 anos.

Os homens entrevistados, 70%, esperavam das esposas que elas assumissem maior demanda em casa, afinal a carreira deles teria prioridade. Pior, as próprias mulheres, 40%, tinham as mesmas expectativas. Ou seja, os homens podem contribuir mudando a postura. Como postei esta semana é possível e saudável para todos, ambos terem uma carreira e manter a família em equilíbrio. Estimule sua parceira, sua mãe, sua irmã, amigas, a serem independentes. Não precisa ser a base de briga, use da empatia, mas seja firme. Todos agradecem no final. (Tem histórias incríveis sobre isso no livro da Denise, postei resenha dele aqui)

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E queridas mulheres, quem vai salvar você é você mesma. Não existe outra possibilidade. “Mas, como?” é uma pergunta repetida exaustivamente. Antes de delegar, é preciso clarear. Jogar as cartas na mesa. Qual papel de quem dentro de casa, qual seu limite, qual sua expectativa em relação a ajuda, conversem inúmeras vezes se preciso. Se ainda morar com o pai, converse também sobre funções e finanças. Fale sobre dinheiro, sobre casa, sobre rotina e estar sobrecarregada com todo mundo, incluindo amigos HOMENS.

Delegar não é só deixar uma tarefa para alguém; mulheres não fazem isso quando acham que o alguém não fará com excelência. Então, antes disso ainda, é preciso desapegar. A mesa está bagunçada; precisa mesmo arrumar antes de dormir? E o filho se atrasou para escola; quantas vezes você mesma não se atrasou para reuniões importantes? Seu parceiro não sabe fazer almoço e compra no delivery; todo mundo comeu? A comida é nutritiva? Então… entendem? Soltem a exigência com vocês e com quem está ao seu lado. Aí fica mais fácil deixar na mão dos outros e não surtar.

Isso não vai acontecer em uma semana, você não terá mais ajuda depois de uma conversinha, os homens não mudarão seu mindset de “ela resolve quando é coisa do lar” quando este texto acabar. Paciência, amor próprio, gentileza e autoconfiança. Uma certeza eu posso dar: você (homem ou mulher) é muito mais capaz do que imagina.

ps: como no mundo internético é bom deixar tudo bem claro, o texto se trata de relacionamentos saudáveis. Usei a palavra parceiro para enfatizar. Quando há uma relação de hierarquia fechada, é preciso aprofundamento individual e profissional. 😉