“Não terás de trabalhar um único dia da sua vida.” Será?


“Escolha um trabalho que você ame e não terás que trabalhar um único dia em sua vida”, Confúcio numa era definitivamente mais tranquila que o século XXI. O filósofo chinês nem sonhava com celulares conectados 24h/dia, redes sociais, e-mails, um milhão de possibilidades de consumo mundo a fora. Também não se tinha o mestrado, o poliglota, nem salários com grandes variações, nem rendimentos de empresas na casa dos milhões.

Ter um trabalho que você ame é fundamental sim, para você sobreviver a esse mar de tarefas e habilidades a serem conquistadas. Mas, haverá dias de preguiça, cansaço e vontade de fazer igual aquela pessoa da revista e largar tudo para viver por aí. O estresse vai acontecer vez ou outra ou muitas vezes. As horas extras também vão se acumular pelo menos em um período do ano. O medo e a preocupação serão sentimentos visitantes

Você quer ser o melhor no seu trabalho. Quer aprender inglês, francês e espanhol e quem sabe alemão. Quer ter o titulo de um bom curso com uma nota excelente. Quer ler os bons livros, as revistas e ver os filmes tão sugeridos por aí. E ainda se dedicar aquilo que ama.

Só tem um porém. Ninguém avisa que mesmo amando o seu trabalho, os momentos difíceis vão chegar. E aí vem aquela sensação “Isso está difícil demais!”. Não está, não. Ou melhor, está, mas é igual para todo mundo. A pressão por ter uma casa, um carro, dinheiro e tempo para os tais cursos existe em todos os travesseiros. Acredito que os dos que são pais seja uma um tanto maior, vem escola, natação, a comida orgânica, a fralda, pode ou não pode babá e etc.

Demorei alguns anos para entender e só consegui quando fiz meu coaching pessoal. Desculpa informar vocês, mas vamos ter que trabalhar e todos os dias, inclusive nos fins de semana, afinal é no ócio que vem as melhores ideias e soluções. Eu amo meu trabalho, amo estar aqui escrevendo isso e amo contribuir para o desenvolvimento de pessoas, mas tem dias que eu quero mesmo é estar numa cadeira na areia das praias caribenhas apenas esperando meu drink chegar.

Outro dia minha irmã me perguntou: o que você faria se ficasse rica amanhã? Eu respondi todas as coisas que achamos ser possível dar conta nessa era maluca levada pela vontade. Além de continuar trabalhando, afinal eu amo, adoraria poder dar a volta ao mundo, ler todos os livros da livraria e biblioteca, ver todos os filmes e incluir os iranianos, aprender francês e melhorar meu inglês, fazer todas as receitas da minha lista infinita, fazer exercícios físicos com tempo e ao ar livre, comer bem sempre, ter filhos e vê-los crescer de perto, relacionamentos com dedicação.

Nem estando rica, daria tempo. Não é sobre não amar o trabalho, é sobre amar toda oferta da vida moderna. Resta ter uma esperança: se não tínhamos mais de uma vida antes, depois desta geração, será um bem necessário.